terça-feira, 27 de maio de 2008

Mordida...


Viajei com meus pais para Montes Claros,a maior cidade do Norte de Minas.
Morávamos em Varzelãndia foi a primeira vez que fui a "Cidade",como era chamada.
Meu pai tinha um jeep Toyota más ainda não sabia dirigir.Contratou o Geraldo Caolho,que é meu primo como motorista,e fomos nós.
Quando o carro se aproximou da "cidade",já anoitecia e as luzes foram se ascendendo.Dei um escãndalo!
Comecei a chorar,gritar volta pai! Volta a cidade está pegando fogo!
Olha lá está tudo queimando!
Volta com o carro Geraldo!
Todos começaram a rir sem parar,as gargalhadas.
Eu não conhecia a luz elétrica,onde morava era luz de candeia.
As ruas ficavam iluminadas pela lua,quando ela aparecia,e as estrelas,tão próximas que eu tinha a ilusão de poder toca-las!
O céu estrelado todas as noites,era a única iluminaçaõ que conhecia.
A luz artificial eu nem conseguia imaginar.
Nunca ouvi falar que existia.
Quando cheguei na Pensão da Dona Joaquina,fiquei encantada!
Pendurei o dedo no interruptor,ascendia e apagava.
Aquilo era uma maravilha,brincava o tempo todo com o meu descobrimento.
Até que mamãe pôs um fim na brincadeira e me chamou a atenção.
Há!Mais havia outra coisa fabulosa,uma novidade que igualei em importãncia!
O sorvete de bola!
Vivendo numa região quente e muito seca,aquilo era fenomenal!
Fíz amizade com um casal de filhos da dona da pensão,que me apresentaram essa oitava maravilha do mundo,que para mim que nem sabia que tinha outras,era a primeira.
No domingo fui convidada a ir na padaria tomar sorvete com meus novos amiguinhos.
Fiquei tão encantada,que voltando para a pensão com meu sorvete vermelho (não importava o sabor) mesmo porque não cheguei a provar.
Só conseguia olhar para ele,quando o garoto gritou,corre!o cachorro!
Que correr que nada,hipnotizada pelo meu sorvete,segurava com delicadeza e não ia correr o risco de deixa-lo cair no chão.
Nesse momento,um cachorro da raça pastor alemão,saiu do portão de uma casa e me atacou!
Eu estava com três anos,desmaiei e só acordei já na farmácia sendo tratado o ferimento da mordida.
O formato da boca do cachorro ficou para sempre no alto da minha coxa esquerda.
A frustração por não desfrutar da delícia que trazia com tanto carinho,andando devagarinho.
Foi satisfeita por minha mãe que mandou buscar um litro de sorvete só para mim.
Enquanto isso meu pai pegou uma arma e foi atrás do cão,queria mata-lo!
E o dono do animal também!
Sorte minha,nem um dos dois foram encontrados
De volta a Varzelãndia,os amigos e vizinhos me vizitaram.
E eu exibia toda importante o curativo.
Que para mim era outra novidade.